Setembro amarelo: como podemos melhorar o acesso da população à saúde mental?
No dia 8 de setembro, a Dra. Simone Neri recebeu a psicóloga e psicanalista Dra. Lygia Nascimento para uma live sobre um tema de extrema importância: saúde mental.
A data escolhida não foi à toa, já que este mês iniciamos a campanha Setembro Amarelo, realizada no Brasil desde 2015 e que tem como principal objetivo reduzir o número de suicídios e ampliar a conscientização sobre a importância de cuidar da saúde mental. Durante todo o mês, são realizadas ações como palestras, campanhas informativas e atividades que envolvem a sociedade civil, instituições e profissionais de saúde.
Índices preocupantes
Para a Dra. Simone Neri, esse movimento se torna cada vez mais relevante “O cenário da saúde mental no Brasil é preocupante e a necessidade de políticas públicas para melhorar as condições de atendimento e tratamento é urgente”, afirma.
De acordo com relatório global anual Estado Mental do Mundo 2022, o Brasil possui o 3º pior índice de saúde mental. Segundo os números divulgados, há mais de 300 milhões de pessoas que sofrem com depressão no mundo, sendo 11 milhões em nosso país.
Outro dado importante é o aumento do número de casos de suicídio entre adolescentes e jovens. Um estudo divulgado pelo Ministério da Saúde em 2021 mostrou que a taxa de suicídio entre jovens de 10 a 19 anos cresceu 24% nos últimos anos. Esse dado revela a urgência de discutir saúde mental entre os mais jovens, especialmente em um período marcado pela intensificação das redes sociais e os desafios da pandemia de Covid-19.
“A saúde mental vai além do que sentimos individualmente, é um estado de bem-estar que permite ao indivíduo desenvolver suas competências e habilidade, e enfrentar os desafios do mundo. É um direito de todos”, explica a Dra. Simone Neri.
Desafios em Osasco
Durante a live, a Dra. Lygia reforçou a necessidade de tornar a saúde mental uma prioridade nas políticas públicas, já que a cidade de Osasco ainda conta com um sistema precário de atendimento e tratamento. “Em Osasco, contamos somente com três unidades de Centros de Atenção Psicossocial, os CAPs. Para uma população de 700 mil habitantes, é muito pouco. De acordo com a lei, deveriam ser 10 centros, um para cada 70 mil habitantes”, destaca a Dra. Lygia.
A psicóloga também ressaltou a importância do tratamento desde o início dos sintomas. “Devemos lembrar que os transtornos começam leves, por isso é importante o cuidado desde o início, para que não se agravem. Além de uma melhor estrutura de atendimento, o conhecimento e o acesso a informações sobre saúde mental são essenciais. Temos pessoas de todas as idades passando por essas questões, então desde professores até familiares, incluindo profissionais de saúde, precisam aprender a reconhecer mudanças de comportamento e sintomas que indiquem algum problema”, completa.
A Dra. Simone reforçou seu compromisso com a saúde de Osasco e garantiu que a saúde mental faz parte de seus projetos. “É papel do estado oferecer informação, conscientizar as pessoas da importância da saúde mental e esclarecer quais são os caminhos para buscar ajuda. Ao mesmo tempo, precisamos estar preparados, com mais estrutura, mais profissionais, com melhores salários e boas condições de trabalho. Cuidar da saúde mental dos profissionais de saúde é primordial para um bom serviço à população”, disse a Dra. Simone.
Assista à live completa: https://www.instagram.com/reel/C_tp7PDJu7p/?igsh=MWJ6N25jbmlqbDh6bA%3D%3D
